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Gestão · 5 min de leitura ·

Margem de lucro em óculos de grau: calcule o preço certo

OptoSystem: vendas, O.S., estoque e NF-e da ótica num só lugar.

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Uma venda pode parecer excelente no balcão e ainda deixar pouco resultado no caixa. Em óculos de grau, isso acontece quando a ótica aplica um multiplicador sobre a armação, mas não considera lentes, laboratório, frete, impostos, taxas e estrutura. O preço correto deve ser calculado sobre a venda completa, e não apenas sobre a etiqueta da armação.

Comece pelo custo completo dos óculos

Óculos de grau são uma venda personalizada. A mesma armação pode gerar resultados diferentes conforme as lentes, os tratamentos, o laboratório, o frete e a condição de pagamento escolhida pelo cliente.

Por isso, a precificação deve começar na composição da ordem de serviço. Separe os valores em dois grupos.

Custos em reais:

  • custo de compra da armação;
  • frete proporcional da armação;
  • custo das lentes no laboratório;
  • tratamentos e serviços diretamente ligados ao pedido;
  • outros custos unitários necessários para entregar os óculos.

O CMV representa o custo direto da mercadoria vendida. Se uma ótica compra 10 armações por R$ 800 e paga R$ 40 de frete, o CMV unitário da armação é R$ 84.

Nas lentes, o raciocínio deve incluir o valor cobrado pelo laboratório, tratamentos, frete e outros gastos diretamente relacionados ao pedido. Retrabalhos também precisam ser registrados, pois podem reduzir a margem efetivamente realizada.

Percentuais que incidem sobre a venda:

  • despesas fixas;
  • impostos;
  • taxas de pagamento;
  • comissões;
  • margem de lucro desejada.

A taxa de despesa fixa pode ser calculada assim:

Despesas fixas percentuais = despesas fixas mensais ÷ receita bruta média × 100

Se a receita bruta média é de R$ 20.000 e as despesas fixas somam R$ 6.000, a taxa de despesa fixa é de 30%.

Um cuidado importante é não contabilizar a mesma despesa duas vezes. Se o custo fixo já foi rateado e incluído no custo-base, ele não deve voltar a aparecer como percentual na fórmula.

Aplique a fórmula do preço de venda

Quando as despesas, os impostos e a margem desejada incidem sobre o preço final, use:

Preço de venda = custo-base unitário ÷ [1 − (despesas fixas% + impostos% + taxas% + comissões% + margem desejada%)]

Os percentuais devem ser convertidos para decimais. Assim, 20% corresponde a 0,20.

Considere este exemplo:

  • CMV da armação com frete: R$ 84;
  • despesas fixas: 30%;
  • impostos: 8%;
  • margem desejada: 20%.

O cálculo fica:

Preço de venda = R$ 84 ÷ (1 − 0,30 − 0,08 − 0,20)

Preço de venda = R$ 84 ÷ 0,42

Preço de venda = R$ 200

Nesse cenário, R$ 200 é o preço mínimo necessário para cobrir os valores considerados e alcançar a margem desejada. É um piso calculado, não um teto comercial. Se existirem taxas de pagamento ou comissões, elas também devem entrar no denominador antes da definição do preço.

Markup não é margem de lucro

Essa diferença merece atenção porque pode fazer uma ótica acreditar que está lucrando mais do que realmente está.

Markup mostra quanto foi acrescentado sobre o custo. Sua fórmula é:

Markup sobre o custo = (preço de venda − custo) ÷ custo × 100

Margem mostra quanto do preço de venda permanece como resultado depois dos gastos considerados:

Margem = (resultado ÷ preço de venda) × 100

Por exemplo, um produto com custo de R$ 80 e markup de 150% chega ao preço de R$ 200. O resultado bruto de R$ 120 representa uma margem bruta de 60% sobre o preço, antes da dedução de despesas fixas, impostos e comissões.

Portanto, dizer que a margem é de 150% seria incorreto. O markup usa o custo como base; a margem usa o preço final.

Valide o preço em cada venda

A fórmula cria uma referência financeira, mas a gestão precisa acompanhar o que acontece no balcão e no caixa. Em uma ótica, descontos, alterações nas lentes e mudanças na forma de pagamento podem modificar o resultado da venda.

Antes de aprovar o preço, confira:

  • se armação, lentes, tratamentos e fretes estão atualizados;
  • se a alíquota efetiva foi validada com a contabilidade;
  • se taxas e comissões refletem a condição de pagamento;
  • se o desconto mantém o pedido acima do preço mínimo;
  • se a margem prevista está próxima da margem realizada;
  • se trocas e retrabalhos estão sendo registrados separadamente.

Também vale acompanhar indicadores diferentes. A margem bruta observa o resultado após o custo do produto. A margem de contribuição mostra quanto sobra depois dos custos e despesas variáveis para pagar a estrutura e formar lucro. Já a margem líquida considera todos os gastos do negócio.

Como referência gerencial, uma margem líquida desejada entre 15% e 25% pode ser usada na simulação, com 20% como ponto inicial. A meta real, porém, deve respeitar a estrutura, o regime tributário e o posicionamento comercial da ótica.

O preço praticado pelo mercado pode ajudar na validação, mas não deve substituir o cálculo. Se o valor encontrado ficar incompatível com o posicionamento da loja, revise custos, compras, mix de produtos e despesas antes de simplesmente reduzir a margem.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula do preço de venda de óculos de grau?

Divida o custo-base unitário por um menos a soma dos percentuais de despesas fixas, impostos, taxas, comissões e margem desejada. A estrutura deve refletir os custos e o tratamento tributário reais da ótica.

Qual é uma boa margem de lucro para ótica?

Uma margem líquida entre 15% e 25% pode servir como referência, com 20% como meta inicial de simulação. A decisão final depende dos custos, dos impostos e da estratégia comercial do negócio.

Markup de 30% significa margem de 30%?

Não. Um acréscimo de 30% sobre o custo gera uma margem aproximada de 23,08% sobre o preço, antes dos demais gastos. Markup é calculado sobre o custo, enquanto margem é calculada sobre o preço de venda.

O frete deve entrar no preço dos óculos?

Sim. O frete diretamente relacionado à compra da armação, das lentes ou de outros componentes deve fazer parte do custo-base, normalmente de forma proporcional aos itens recebidos.

Conclusão

A margem de lucro em óculos de grau não deve nascer de um multiplicador escolhido por hábito. O cálculo precisa considerar a venda completa, separar custos em reais de percentuais sobre o preço e mostrar o piso necessário para proteger o resultado da ótica.

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